Faz quanto tempo que você não sente aquele frio na barriga?
Não estou falando de ansiedade antes de uma prova, nem daquele frio que aparece quando lembramos que esquecemos alguma coisa importante.
Estou falando daquele outro.
Aquele que começa bem antes de um encontro.
Às vezes, basta uma mensagem
O celular vibra e, antes mesmo de olhar, alguma coisa dentro da gente já desconfia de quem pode ser.
Aí você olha... é a pessoa.
E pronto.
O dia parece ficar um pouquinho melhor. Sorrir sem ter um motivo não parece estranho.
É curioso como algumas pessoas conseguem isso sem fazer absolutamente nada de extraordinário:
Uma mensagem de bom dia.
Um "chegou bem?
Uma música enviada no meio da tarde.
Um convite para tomar um café.
E de repente você está sorrindo para a tela do celular como se tivesse quinze anos. Talvez esconda o sorriso quando alguém se aproxima e não revele a razão que te faz bobo, e você gosta dessa sensação.
Talvez releia a mensagem.
Talvez até pense: "Calma. Não vai criar expectativas."
Mas o coração nunca foi muito bom em seguir instruções. Ele se anima antes da nossa permissão. E daí se por um um dia, você se permita mergulhar nos sentimentos. Sentir as palpitações do coração.
E brigar com os avisos que querem te puxar de volta para aquele lugar de calmaria... de espera, dúvidas e solidão.
E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas de começar a gostar de alguém.
Ainda não sabemos onde tudo vai terminar. Não sabemos se será uma história de alguns meses, alguns anos ou uma história que ficará para sempre. Você só pensa no agora.
No encontro que está próximo. Qual roupa deve usar, se é melhor agir com espontaneidade ou mostrar uma certa reserva. Ou então se jogar, sem planejar o que falar... apenas curtir o momento e seja o que Deus quiser.
Porque você quer muito que aconteça o primeiro encontro.
Ainda não existe promessa.
Existem possibilidades.
E possibilidades são perigosas.
Mas também são deliciosas. Porque, por alguns instantes, a vida parece cheia de portas que ainda podem se abrir.
Acho que é por isso que o primeiro amor ocupa um lugar tão especial nas nossas lembranças.
Não necessariamente porque foi o amor mais bonito que tivemos, mas porque foi o primeiro. Foi quando descobrimos como era esperar por alguém.
Como era sentir falta.
Como era ouvir uma música e pensar imediatamente em uma pessoa.
Como era imaginar um futuro antes mesmo de saber se aquele futuro existiria.
Depois crescemos. Amamos outras vezes. Algumas histórias dão certo. Outras nos deixam algumas cicatrizes. Aprendemos a desconfiar, a observar melhor, a não entregar o coração tão depressa.
E, talvez sem perceber, começamos a construir pequenas pontes ao redor dele.
Não queremos mais nos machucar. Então colocamos um pouco de distância, até que, um dia, alguém aparece e alguma coisa acontece.
Não sabemos explicar.
Talvez seja o jeito como essa pessoa olha. A maneira como ri, uma conversa que se estende muito mais do que deveria ou simplesmente a sensação estranha de que gostar dela não parece uma decisão.
É como se o coração dissesse:
"Olha só... talvez ainda exista espaço aqui. Tenta outra vez."
E você tenta ignorar. Porque já conhece o outro lado dessa história. Sabe que gostar de alguém significa correr riscos. Significa permitir que outra pessoa tenha acesso a lugares seus que você passou muito tempo protegendo.
Mas existe uma diferença entre ser ingênuo e permitir-se sentir novamente.
Talvez amadurecer não seja deixar de sentir aquele frio na barriga.
Talvez seja senti-lo e, mesmo sabendo que pode doer, escolher não fugir imediatamente.
Não significa fechar os olhos. Significa apenas não fechar o coração antes mesmo de saber o que poderia acontecer.
Talvez o amor não precise chegar fazendo barulho. Às vezes ele começa pequeno.
Em uma conversa.
Em uma amizade.
Em um olhar demorado.
Em uma mensagem que esperamos o dia inteiro.
E talvez o mais bonito seja justamente não saber. Porque algumas das melhores histórias começam assim.
Sem garantias.
Sem certezas.
Apenas com duas pessoas descobrindo, aos poucos, que alguma coisa está acontecendo. E o fim da história? O fim talvez não seja importante saber agora.
E você?
Quando foi a última vez que alguém fez seu coração esquecer, por alguns segundos, que você já tinha aprendido a se proteger?
Talvez tenha acontecido há muito tempo.
Talvez tenha acontecido ontem ou talvez você ainda esteja esperando. E tudo bem.
Algumas histórias precisam de tempo para encontrar a primeira palavra.








