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quarta-feira, 29 de julho de 2026

O som das coisas que terminam em silêncio


A xícara sobre a mesa ainda estava morna...

A xícara sobre a mesa ainda estava morna


Não houve gritos, não houve portas batendo, nem acusações dramáticas. Houve apenas aquele silêncio em que se pode ouvir as batidas do coração, aquele instante em que dois olhares se cruzam e ambos entendem, sem dizer uma única palavra, que a mala no canto da sala já não era uma ameaça: era um fato.

Ele pegou as chaves, disse um "se cuida" quase sussurrando, e a porta se fechou com um clique suave.

Estranhamente, aquele pequeno clique fez mais barulho no meu peito do que qualquer tempestade.

A gente costuma crescer achando que os grandes amores só terminam com grandes explosões. A gente espera pelo clímax, pela briga inesquecível, pelo motivo imperdoável que vai justificar a dor.

Mas a verdade é que, na maioria das vezes, o fim não vem como um raio.

Ele vem como uma maré baixa, desmanchando os castelos de areia tão devagar que você só percebe que a praia está vazia quando os pés estão frios.

Às vezes, o amor acaba porque alguém errou ou porque o sentimento virou raiva.

Ele simplesmente escorre pelas brechas da rotina, pelo "boa noite" ditos no automático, pelas conversas profundas que foram substituídas pelo cansaço do dia a dia.

E aceitar que algo bonito pode simplesmente chegar ao fim sem um vilão para culpar é, talvez, a parte mais difícil de crescer.

A gente fica procurando um culpado para tentar fazer a dor fazer sentido. Mas não há. Há apenas duas pessoas que se amaram, que tentaram, e que em algum momento da estrada começaram a caminhar em direção diferentes.

E você? Já viveu um fim que não teve barulho, só saudades?




terça-feira, 28 de julho de 2026

O sempre que virou fantasia

 

Acreditei em um amor onde o sempre era fantasia

O meu "feliz para sempre" onde está?

Você disse que ficaria ao meu lado... sempre.

Mas o sempre durou meses e, logo a indiferença ocupou os 

espaços entre nós.

Ou talvez ela já estivesse presente e eu não percebi?

Porque essa sou eu, a mulher que te ama.

Dizem que o amor é cego, e hoje me pego precisando de uma bengala. Não vejo mais você segurando minhas mãos. Não te vejo acordar ao meu lado.

E nas poucas vezes em que você fala, é apenas para pedir que eu te dê um pouco de paz, silêncio e... liberdade.

É doloroso perceber como as coisas mudaram de lugar. O meu amor, que antes você declarava ser o seu refúgio, tornou-se a sua prisão — logo você, que jurava ser o prisioneiro voluntário dele.

Sonhei com o "sempre" que você me fez acreditar.

Vivi o "sempre" como se fosse a aliança de metal colocada em meu dedo no altar.

Construí castelos sobre uma promessa que parecia sólida, para só agora entender a verdade: acreditei em um amor onde o "sempre" nunca passou de uma bonita fantasia.

Meus livros

Você ainda acredita naquele frio na barriga

  Faz quanto tempo que você não sente aquele frio na barriga? Não estou falando de ansiedade antes de uma prova, nem daquele frio que aparec...