O som das coisas que terminam em silêncio


A xícara sobre a mesa ainda estava morna...

A xícara sobre a mesa ainda estava morna


Não houve gritos, não houve portas batendo, nem acusações dramáticas. Houve apenas aquele silêncio em que se pode ouvir as batidas do coração, aquele instante em que dois olhares se cruzam e ambos entendem, sem dizer uma única palavra, que a mala no canto da sala já não era uma ameaça: era um fato.

Ele pegou as chaves, disse um "se cuida" quase sussurrando, e a porta se fechou com um clique suave.

Estranhamente, aquele pequeno clique fez mais barulho no meu peito do que qualquer tempestade.

A gente costuma crescer achando que os grandes amores só terminam com grandes explosões. A gente espera pelo clímax, pela briga inesquecível, pelo motivo imperdoável que vai justificar a dor.

Mas a verdade é que, na maioria das vezes, o fim não vem como um raio.

Ele vem como uma maré baixa, desmanchando os castelos de areia tão devagar que você só percebe que a praia está vazia quando os pés estão frios.

Às vezes, o amor acaba porque alguém errou ou porque o sentimento virou raiva.

Ele simplesmente escorre pelas brechas da rotina, pelo "boa noite" ditos no automático, pelas conversas profundas que foram substituídas pelo cansaço do dia a dia.

E aceitar que algo bonito pode simplesmente chegar ao fim sem um vilão para culpar é, talvez, a parte mais difícil de crescer.

A gente fica procurando um culpado para tentar fazer a dor fazer sentido. Mas não há. Há apenas duas pessoas que se amaram, que tentaram, e que em algum momento da estrada começaram a caminhar em direção diferentes.

E você? Já viveu um fim que não teve barulho, só saudades?




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